Vacinas infantis em 2020 tiveram pior cobertura em 25 anos no Brasil - Don't LAI to Me #67

Veja ainda: Dados do Disque 100 de violências contra crianças e relatórios de ações de inteligência da PF realizadas no estado do Rio de Janeiro

Esta é a edição #67 da Don’t LAI to me, a newsletter da Fiquem Sabendo para quem quer informação direto da fonte. É a primeira no Brasil a divulgar bases de dados inéditas de diversos assuntos e trazer dicas e tutoriais exclusivos de como obter documentos e informações do poder público por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Quer um manual prático para usar a LAI? Temos o Guia de Bolso da Fiquem Sabendo como recompensa da nossa campanha de financiamento coletivo. Clique aqui para saber como adquirir. 

O que você verá nesta edição:

  • Brasil registra em 2020 piores coberturas em 25 anos para as principais vacinas infantis

  • Dados do Disque 100 mostram que 68% das violências contra crianças e adolescentes ocorrem diariamente

  • Sem sigilo: veja relatório de ações de inteligência da PF realizadas no estado do Rio de Janeiro


Brasil registra em 2020 piores coberturas em 25 anos para as principais vacinas infantis

Em meio à pandemia de Covid-19, o índice de cobertura vacinal de alguns dos principais imunizantes obrigatórios para bebês, como BCG e vacina da pólio, despencou no País, alcançando as menores taxas em mais de 20 anos. É o que mostram dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI) tabulados pela Fiquem Sabendo no Datasus, portal de dados do Ministério da Saúde.

Considerando as nove principais vacinas indicadas para crianças com menos de dois anos, nenhuma atingiu a meta federal de mais de 90% ou 95% do público vacinado. Apenas uma (Pneumocócica) teve adesão superior a 80%.

Foi a primeira vez em 27 anos que a cobertura da BCG, que protege contra a tuberculose, ficou abaixo desse índice. Em 2020, somente 73,8% do público-alvo se vacinou. Situação semelhante aconteceu com a vacina contra a poliomielite, que teve apenas 75,97% das crianças imunizadas no ano passado. A adesão à tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, ficou abaixo de 80% pela primeira vez desde 2000.

Os índices acendem o alerta para o risco de ressurgimento de doenças já controladas ou erradicadas. Veja aqui a planilha com a cobertura vacinal desde 1994 (dado mais antigo disponível) dos nove imunizantes indicados para menores de dois anos. Os dados de 2021 não foram considerados nesse levantamento porque ainda são preliminares.

Com a queda na cobertura vacinal, o Ministério da Saúde iniciou no dia 1º de outubro uma campanha de multivacinação para crianças e adolescentes com menos de 15 anos para atualização da carteira de vacinação.

Caso queira fazer sua própria tabulação nessa base de dados, buscando informações do seu Estado, município ou de outras vacinas, siga o tutorial abaixo:

- Entre no site que dá acesso à base de dados do Programa Nacional de imunizações no portal do Datasus

- Escolha “cobertura” para acessar o tabulador (tabnet) dos dados referentes à cobertura vacinal dos imunizantes

- No tabulador, você pode escolher quais variáveis serão mostradas nas linhas e colunas da planilha a ser gerada. No caso da nossa tabulação, escolhemos “Imuno” para a linha (que traz os imunizantes) e “Ano” para a coluna, mas você pode coletar os dados por Região, Estado ou município, por exemplo

- A escolha de parâmetros na lista de seleções disponíveis é opcional, você pode usá-la se quiser dados específicos: saber, por exemplo, a cobertura vacinal ano a ano de cada imunizante, mas somente em um determinado município.

- Ao final da tabulação, clique em "Mostra". O resultado será apresentado em formato de tabela e poderá ser exportado como arquivo do tipo .csv


ATENÇÃO: Todo o material publicado gratuitamente no nosso site ou nesta newsletter Don’t LAI to me pode, e deve, ser compartilhado! Usamos a licença “Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)", que permite a republicação/adaptação, inclusive para fins comerciais, nas seguintes condições:

-Todas as republicações ou reportagens feitas a partir de dados/documentos liberados pela nossa equipe devem trazer o nome da Fiquem Sabendo, com crédito para: “Fiquem Sabendo, agência de dados especializada no acesso a informações públicas"; 

-Incluir link para a publicação original da agência (no site ou na newsletter);

-As postagens nas redes sociais sobre as reportagens com dados obtidos pela nossa equipe devem conter menção aos perfis da agência: Twitter, Instagram, Facebook ou Linkedin.


1 em cada 3 denúncias de violação aos direitos humanos tem como vítima criança ou adolescente

Praticamente um terço (32%) das denúncias de violação de direitos humanos que foram feitas neste ano ao Disque 100 tiveram como vítimas crianças e adolescentes. Foram 75.575 registros feitos, de um total de 233.454 até setembro. Em 68% dos casos denunciados, as vítimas sofrem violência diariamente. 

Acesse os dados por meio desta plataforma do ministério. 

O tipo de denúncia mais frequente contra crianças e adolescentes é de violência física, que aparece em 55.905 registros. Nesta categoria, os casos mais comuns são de maus tratos, agressão e exposição de risco à saúde. Violência psicológica aparece em seguida, com denúncias de insubsistência afetiva, constrangimento, tortura psíquica e outros.

Metade das denúncias estão concentradas na região sudeste, nos estados de São Paulo (19,1 mil), Rio de Janeiro (9,7 mil) e Minas Gerais (9,2 mil). Já ao levar em consideração a taxa por 100 mil habitantes, o Rio de Janeiro tem maior incidência de denúncias (57 denúncias por 100 mil habitantes), seguido do Distrito Federal (49), Amazonas (48), Mato Grosso do Sul (46) e Rio Grande do Norte (45).

Fiscalize o poder público com a Fiquem Sabendo. Acesse aqui a nossa campanha de financiamento


Projeto Sem Sigilo: veja relatório de ações de inteligência da PF realizadas no estado do Rio de Janeiro

Liberamos mais uma série de documentos desclassificados pelo Departamento de Polícia Federal. Entre as informações liberadas estão, por exemplo, um relatório sobre potenciais ameaças de uso de explosivos por três facções criminosas do Rio de Janeiro: Comando Vermelho (CV), Amigo dos Amigos (ADA) e Terceiro Comando Puro (TCP) e um relatório sobre vulnerabilidades observadas nos sistemas de proteção do Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Acesse aqui.

Os documentos foram obtidos por meio do Sem Sigilo, projeto da Fiquem Sabendo que recupera informações desclassificadas - aquelas que deixaram de ser sigilosas após o prazo legal previsto na Lei de Acesso à Informação, mas que o governo não divulga. 


Publicações no site da Fiquem Sabendo

  • Quero fiscalizar o poder público. Por onde começo? 

Na semana de comemoração do Dia Internacional do Acesso Universal à Informação (28/09), a FS selecionou uma série de ferramentas e conteúdos para que você também comece a acessar as informações públicas e se capacite para exercer o controle social dos recursos e serviços públicos. Confira aqui o conteúdo completo.

Lei de Acesso à Informação na imprensa

Ministério da Cidadania gasta R$ 4,7 milhões com propaganda em redes sociais com baixo engajamento | O GLOBO (com dados da Fiquem Sabendo)

Acusado de estar “alinhado” com Prevent, Ministério da Economia negou pedido de lista de visitas ao prédio | Metrópoles (com dados da Fiquem Sabendo)

Dezesseis entidades religiosas concentram 80% das dívidas das igrejas | UOL

Cresce o número de estupros e sequestros no 1º semestre em SP | R7 São Paulo

Sobre a Fiquem Sabendo

A Fiquem Sabendo é uma agência de dados independente e especializada na Lei de Acesso à Informação (LAI). Nossa missão é batalhar para revelar dados e documentos escondidos da sociedade, enquanto formamos cidadãos capazes de exercer o controle dos recursos e serviços públicos ao lado da nossa equipe. 

Chave PIX (CNPJ): 32.344.117/0001-89

Associação Fiquem Sabendo


Expediente Don’t LAI to Me

Texto: Natália Faria e Fabiana Cambricoli

Edição: Luiz Fernando Toledo

Revisão: Maria Vitória Ramos e Taís Seibt

Suporte jurídico: Bruno Morassutti

Coordenação: Maria Vitória Ramos